Nudez Amarela



Olhares magos consumiam sua qualidade de moça.

Terna...
 

Domínioque jorrava-lhe dos hábeis dedos de criança..

Insólita...

Dança, enganando os deuses em sua ingenua melúria

crença deturpada ao sentido da razão

mantém discreta o prazer de sua função

em enorme potencial lúbrico

e cruel habilidade de se adaptar.

Nudez Cinza


Não era mais que fino tato sobre os ossos...

Pêlos finos retirados com cuidado,

Cobrança refletida em olhos rasos

e penosamente vagos.

Caminhava flutuante entre as cismas

Namorava-se em sonho conturbado

diante de um espelho fosco e cinza.

Mas era linda e oca como deveria ser.


Nudez Vermelha



O umbigo da moça era fundo...

no fundo do poço ela estava.

No fundo da noite, perdida

No fim de um amor, esquecida

De dentro de si, nova vida

escorregava.

A Regra dos Passos de Antonio


Naquele dia eu parei pra ver Antonio passar. Antonio passava todo dia e eu nunca parava pra ver, talvez por já saber que amanha passaria denovo e passava sempre igualzinho, mas nunca parava não... no máximo errava o caminho, mas logo acertava o passo e voltava pra sua linha, fazendo tudo direitinho pra ser um homem normal.
Antonio nunca falava, achava que falar lhe encurtava as passadas e por momento se esquecia que tinha que passar rapido pra poder passar de novo... e eu nunca olhava Antonio passar.
Mas naquele dia eu parei pra ver Antonio, e vi que ele me olhava grande e arrastava cada pisada querendo alongar o caminho, tentando entender porque eu não sabia entender que ele sempre passava porque eu sempre ficava parada, esperando o dia em que Antonio passaria e eu resolveria olhar. Não pra ver ele passando, mas pra ver ele me olhando e saber que eu to gostando de Antonio me gostar.

Água Branca


Era uma vez num distante local próximo,
Uma pedra parada a beira de um buraco no centro da estrada,
Indecisa em qual ou que caminho tomar,
Receosa de cair ou ficar,
Decidiu...
Mergulhou e assim...
Viu-se dentro de um poço abandonado,
Repleto de si por todos os lados,
Angustiou-se, mas também fortificou-se.
Alojada em um balde de madeira sentiu-se mais segura.
Esperançosa de sair daquele local escuro que mais parecia um álbum de família,
Foi quando sentiu o estremecer toma-lhe conta.
Na verdade era o estremecer do balde que começava a ser içado.
Uma senhora que havia se perdido e agora sofria por culpa da sede.
Ela admirou-se com a beleza da pedra que morava dentro daquele encardido balde,
Amarronzado pelo ciclo do eterno,
A senhora segurou a pedra com força, colocou-a de lado enquanto matava o sedento desejo.
Levou a pedra ate sua casa,
Limpou-a e deu-lhe espaço na sua caixinha...
Toda noite contava-lhe segredos...
Assim descobria coisas suas e sentias com verdade
Coisas que o tempo de desejos havia sido encoberto pela poeira dos eidos.
Mas que aos pouco a trazia de volta a vida.

Ainda...

Dos anos idos... que não houve nada

Aos que virão e lembrará ferrugem.

Da tentativa iniciada a pouco,

define o desespero promulgado e lento.

A querença de quem quer sem egoismo, apenas se sentir tão quista quanto.

O instante, mastigado, confessado, e agora puro!

Ignora o efeito de periodica ausencia.

Mas eu esqueço...

Compartilho o tempo que não é meu e vivo!


E por querer, devias sim,

partir do afeto incendiando o toque.

Mas essa é a lição que desconheço. E aspiro

Não distante daquela que estende espaço e tempo...

desafiando resquicios de coragem aleatoria.

Não há culpados se não houve história.

E isso aprendemos desde cedo.

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